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O uso da Cannabis Medicinal

Cannabis Sativa é uma planta de origem asiática usada há milhares de anos para a produção de fibras, alimentos e remédios. As plantas dessa espécie podem ser masculinas ou femininas. As flores produzidas pelas fêmeas em sua parte mais alta são ricas em compostos com propriedades medicinais, chamados de canabinoides. Existem mais de 80 tipos de canabinoides. A quantidade e a proporção dessas substâncias em cada planta muda segundo sua variedade genética e suas condições de cultivo. Os canabinoides mais abundantes e estudados atualmente são Tetra-hidrocanabinol (THC) e o o Canabidiol (CBD). Pesquisas sobre os canabinoides e seu mecanismo de ação ajudaram os cientistas a descobrir um complexo sistema de comunicação entre os neurônios batizado de sistema endocanabinoide

Apesar  da maconha ser conhecida como droga recreacional pelo efeito do THC, o Canabidiol (CBD),  tem mostrado  ação contrária, demonstrando efeito medicinal e terapêutico a várias doenças. O CBD é um do 80 tipos de canabinoides presentes na planta Cannabis Sativa, não possui o efeito psicoativo e dependência química como o THC. A substância THC  produz seus efeitos conectando-se principalmente nos receptores CB1, receptor mais abundante no cérebro, já o CBD atua nos receptores CB2, presente em vários orgãos inclusive no sistema imune. O CBD tem mostrado amplo aspecto farmacológico com ação em doenças como Epilepsia, Esclerose Múltipla,  Doença de Alzheimer, câncer e Trasntorno do Estresse Pós- traumático.

Vídeo explicativo sobre o que é a Cannabis Medicinal (CBD):

 

Estudo da Cannabis em aplicação medicinal

O uso de maconha para o tratamento da epilepsia é conhecido há pelo menos 500 anos, mas ganhou maior relevância nos últimos anos, com a repercussão de casos de diversas crianças que tinham dezenas ou centenas de convulsões por dia e conseguiram controlá-las. O efeito anticonvulsivante da planta, revelado em diversos estudos com animais, é produzido pelo canabidiol (CBD), substância que não produz a “viagem” típica da maconha e não causa dependência. Atualmente, um grande estudo clínico está em curso nos EUA para testar a eficácia do CBD no controle de epilepsias raras e sem cura. Em Israel, o programa de maconha medicinal do governo federal autoriza o uso da substância em crianças que não respondem a outros tratamentos, 84% das crianças com epilepsias graves e resistentes a tratamentos reduziram suas convulsões usando extrato de maconha rico em canabidiol, segundo pesquisa de 2013 nos EUA. É nas epilepsias refratárias, ou seja, aquelas que persistem apesar do uso das drogas tradicionais, que o uso da maconha medicinal , o CBD, esta sendo utilizada podemos citar as síndromes epiléticas abaixo:

Síndrome de Dravet: epilepsia mioclônica grave, estado febril, ocorre entre 1 a 4 anos de vida, com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, atraso na linguagem e ataxia em 80% dos casos. Síndrome Lennox-Gastaut: forma muito grave de epilepsia, diferentes crises epiléticas recorrentes, frequentes associadas a retardo mental e  a um padrão eletroencefalográfico de ponta -onda  (1,5 Hz a 2,5 Hz) realizado no sono. Ocorre em crianças de 1 a 7 anos. Síndrome de Doose: apresenta características semelhantes à Síndrome de Lennox-Gastaut, podendo ser evitado o retardo mental com o controle das crises e declínio do desenvolvimento neuropsicomotor. Início entre 2 a 5 anos.

A esclerose múltipla é uma doença degenerativa do sistema nervoso que causa dores crônicas, espasmos musculares e perda progressiva dos movimentos e da sensibilidade. Desde a década de 90, estudos indicam que o uso de maconha in natura ajuda a diminuir diversos sintomas da doença, mas, principalmente, os espasmos musculares e as dores. Pesquisas clínicas mais recentes, com centenas de pacientes, também confirmam a eficácia do Sativex™, extrato natural de maconha, para o controle dos sintomas da doença.

A quimioterapia usada para o controle de tumores produz náuseas e vômitos, isto ocasiona perda do apetite e deficiência nutricional, comprometendo a saúde geral do paciente, logo, diminui a chance de sucesso do tratamento contra o câncer. Apesar  do THC ser conhecido como droga recreacional, ela pode ter efeito antiemético – substância que inibe enjôo e vômitos – por isso ela tem sido usada em diversos países para pacientes com câncer. A droga também ajuda no controle da insônia, outro problema recorrente entre pacientes com câncer. Medicamentos com THC ou similares são indicados para pacientes de câncer pela Rede Nacional de Câncer nos EUA.

Uma revisão de 15 estudos sobre o uso de maconha e derivados para controle de dores crônicas mostrou que ela é eficaz e produz poucos efeitos colaterais adversos. Os estudos constataram que ela pode ajudar pacientes com fibromialgia, artrite reumatoide, dores neuropáticas, por exemplo. A dor   de muitos pacientes com estas doenças não é aliviada por nenhuma medicação disponível nas farmácias por isso a necessidade de outras opções terapêuticas. Em 2004, 86% dos pacientes do programa federal de cannabis medicinal da Holanda relataram melhora, segundo estudo de 2014. 

A aplicabilidade da cannabis medicinal pode ir ainda muito além, recentemente o revista ciêntífica The British Journal of Clinical Pharmacology afirma que o CBD tem propriedades antidepressivas e anti-oxidantes além das propriedades já conhecidas como anticonvulsivante e anti-emética. O artigo descreve também os efeitos no tratamento direto do câncer.

 

 

Assista abaixo documentário do Dr Sanjay Gupta apresentado pela rede de TV americana CNN, a qual mostra a realidade do potencial medicinal da planta e dos métodos já aplicados com o óleo contendo CBD. Como o caso de uma criança com Doença de Davet, patologia que pode apresentar 300 crises convulsivas por semana, com o uso da maconha mecicina ela passou para 2 a 3 crises no mês. 

 

Histórico da maconha medicinal

2700 A.C - Primeiro registro encontrado na farmacopeia chinesa, Pen Ts’ao Ching recomenda o uso de cannabis para dores nas articulações, prisão de ventre e malária.

1500 A.C - No Egito, o Papyrus Ebers, livro de medicina do Antigo Egito, indica a cannabis para inflamações nos olhos e cólicas menstruais.

1450 - O médico grego Pedanius Dioscórides cita a cannabis como remédio para inflamações e problemas de articulação no Matéria Medica, principal livro de medicina até o século 15.

1464 - O historiador Ibn al-Badri relata que a epilepsia do filho do califa de Bagdá foi tratada com haxixe, resina extraída da cannabis.

1840 - Surgem os primeiros remédios de Cannabis indicados nos EUA.

1841 - Após uma temporada na Índia, o médico inglês William O'Shaughnessy publica artigos sobre o uso de cannabis para tratar dores nas articulações, espasmos musculares e epilepsia em crianças. Seus textos popularizam o uso medicinal da planta na Europa.

1889 - O jornal científico The Lancet divulga estudo sobre o tratamento da dependência de ópio com cannabis.

1905 - Brasil do início do século 20, os “cigarros índios” Grimault, feitos de maconha, são vendidos no Brasil para tratar asma e insônia. Extratos da planta são vendidos em diversos países da Europa e da América como analgésicos e antiespasmódicos. 

1937 - A proibição da maconha nos EUA impede a prescrição de cannabis. Devemos enfatizar a proibição da maconha no país por motivos econômicos, já que a cannabis e seu derivado, o canhamo, estavam derrubando a industria do papel, pois serviam de matéria prima mais barata do que a da madeireira,sendo assim, Anslinger, comissário do serviço de narcóticos dos EUA, movido por interesse próprio e de seus amigos da indústria como Hearst, DuPont, etc, começou sua longa cruzada contra a maconha. “A Du Pont foi uma das maiores responsáveis por orquestrar a destruição da indústria do cânhamo”. Nos anos 20, a empresa estava desenvolvendo vários produtos a partir do petróleo: aditivos para combustíveis, plásticos, fibras sintéticas como o náilon e processos químicos para a fabricação de papel feito de madeira. Esses produtos tinham uma coisa em comum: disputavam o mercado com o cânhamo. Seria um empurrão considerável para a nascente indústria de sintéticos se as imensas lavouras de cannabis fossem destruídas, tirando a fibra do cânhamo e o óleo da semente do mercado. “A maconha foi proibida por interesses econômicos, especialmente para abrir o mercado das fibras naturais para o náilon. William Randolph Hearst, dono de uma imensa rede de jornais e terras que usava para plantar eucaliptos e outras árvores para produzir papel, ou seja, ele também tinha interesse em que a maconha americana fosse destruída quebrando a indústria de papel de cânhamo. Hearst iniciou, nos anos 30, uma intensa campanha contra a maconha. Seus jornais passaram a publicar seguidas matérias sobre a droga, às vezes afirmando que a maconha fazia os mexicanos estuprarem mulheres brancas, outras noticiando que 60% dos crimes eram cometidos sob efeito da droga. Em 1937, Anslinger foi ao Congresso dizer que, sob o efeito da maconha, “algumas pessoas embarcam numa raiva delirante e cometem crimes violentos”. Os deputados votaram pela proibição do cultivo, da venda e do uso da cannabis, sem levar em conta as pesquisas que afirmavam que a substância era segura. Proibiu-se não apenas a droga, mas a planta. O homem simplesmente cassou o direito da espécie Cannabis de existir. Nos anos seguintes, o mesmo aconteceria no resto do mundo.

1980 - Estudo brasileiro testa a eficácia do derivado de maconha canabidiol para o tratamento de epilepsia. Entre os oito pacientes testados, sete melhoram e quatro não tiveram mais crises.

1990 - Na Holanda, a empresa HortaPharm é criada para o desenvolvimento de variedades de maconha destinadas ao uso medicinal.

1996 - A “lei da compaixão” é aprovada por plebiscito na Califórnia e o estado americano torna-se o primeiro a aprovar o uso medicinal da maconha.

1998 - A empresa GW Pharmaceuticals é fundada no Reino Unido para criar remédios à base de cannabis, como o Sativex e o Epidiolex.

2001 - Por ordem judicial, o Canadá torna-se o primeiro país do mundo a ter um programa federal que fornece maconha com fins terapêutico

2014 -  No Brasil foi autorizado o uso do CBD como uso compassivo (medicamentos sem registro na Anvisa, embora promissor destinado a pacientes com doenças debilitantes graves sem alternativa terapêutica), é necessário a autorização do ANVISA , com receita médica e laudo médico. O CFM (Concelho Federal de Medicina) aprova a prescrição por médicos neurologistas e psiquiatras no tratamento da epilepsia da infância e na adolescência refratárias ao tratamento convencional, no entanto, é proibido ao médico a prescrição da cannabis in natura para uso medicinal. Anny Bortoli Fischer, criança de 5 anos portadora de uma síndrome rara que causa convulsões, torna-se a primeira brasileira a ter autorização judicial para usar um produto de cannabis

 

Principais tipos de canabinoides retirado da cannabis medicinal:

 

Tipos comerciais de Cannabis Medicinal disponíveis nos EUA e Europa:

  • REVIVID CBD é um produto CBD que é produzido a partir de plantas de cânhamo cultivadas nos Estados Unidos, extraídos no Colorado, foi fundada para as crianças epilépticas e os pais que querem uma vida normal.
  • SATIVEX™ é extrato natural de Cannabis comercializado por um laboratório inglês, com proporção controlada e igual de THC e CBD. se usa em forma de spray, borrifado na boca. É aprovado desde 2010  em pacientes com esclerose múltipla no Reino Unido e na Espanha. Produtos com THC podem causar efeitos parecidos com o da maconha: prazer e relaxamento, tontura, perda de coordenação motora, sono, dificuldades de concentração e aumento de apetite, estes sintomas são temporários e são relacionados a dose e a sensibilidade do paciente. No caso do Sativex™, apenas 12% dos pacientes desistem da medicação por causa dos efeitos colaterais.
  • MARINOL® é o THC sintético se utiliza forma de cápsulas. Aprovado nos EUA em 1985 para pessoas com anorexia em decorrência de aids.
  • CESAMET® é uma molécula sintética que imita a ação e os efeitos do THC, principal derivado da maconha, é utilizado em forma de cápsulas é  aprovado nos EUA desde 1985 para tratar náusea, vômito e perda de apetite em pacientes em quimioterapia ou com aids. 

 

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